Açude
Quanto você coopera quando ninguém está olhando?
~5 min · sozinho ou em grupo · cooperação · bem comum
Ilustração do cenário. Frame de gameplay real em breve.
Sobre o jogo
Você é um pescador num açude compartilhado com outros três pescadores. Eles não são pessoas reais — são bots com estilos diferentes: um ganancioso, um cooperativo, um que copia o que você faz. A partida tem cinco rodadas de quinze segundos. A cada rodada, você pesca clicando nos peixes. Entre uma rodada e outra, o que sobrou regenera um pouco.
Se todo mundo pescar no máximo, o açude colapsa antes do fim da partida e ninguém ganha nada. Se todo mundo recua, sobra peixe pra todos. Individualmente, é sempre tentador pegar um pouco a mais. Coletivamente, essa tentação destrói o recurso. Esse padrão tem nome: tragédia dos comuns. Foi descrito em 1968 pelo ecólogo Garrett Hardin e virou um dos dilemas centrais da psicologia social e da economia comportamental. A economista Elinor Ostrom ganhou o Nobel de 2009 mostrando que, na prática, comunidades inteiras conseguem cooperar — quando têm sinal claro e tempo pra aprender.
Quando você joga, a plataforma registra quantos peixes você pesca em cada rodada, em que momento da rodada, e como você reage quando o açude começa a dar sinal de esvaziamento. Com isso a gente consegue ver: qual é o ritmo de pesca das pessoas comuns, como esse ritmo muda quando o recurso fica escasso, e quanto o comportamento dos outros três pescadores influencia o seu.
A maior parte das pesquisas sobre dilemas de bem comum foi feita com estudantes de economia de universidades americanas — um grupo específico, que não representa o mundo. A gente quer ver como pessoas de várias partes do Brasil decidem nesse mesmo cenário. O resultado importa pra ciência básica (como cooperação emerge) e pra políticas públicas (gestão pesqueira, água, pastagens coletivas).
O Açude foi desenvolvido com Phaser 4 (motor de jogos 2D open-source) e roda direto no navegador, sem instalação. O código-fonte é aberto — veja no GitHub. O jogo é mantido pelo grupo PsyFun com apoio do CIn-UFPE e da UNIVASF.